Como financiar caçamba, tanque ou baú depois do Move Brasil

A segunda fase do Move Brasil colocou o implemento dentro da mesma operação do caminhão. Caçamba, tanque e baú passaram a entrar no financiamento junto com o chassi, com juro abaixo do mercado e prazo longo. Os prazos dessa fase terminaram em agosto e setembro, e quem não fechou a tempo precisa de outro caminho para pagar o implemento.

Quando escrevi sobre o programa aqui no blog, em julho, no texto Move Brasil: crédito facilita troca de caminhão, a novidade era justamente essa inclusão. Este texto trata do que veio depois: as linhas que seguem abertas, o que cada uma pede e para quem cada uma faz mais sentido.

Taxas, prazos e limites mudam com frequência. Use os números daqui como referência, com a data em que foram consultados, e confirme as condições vigentes com o banco antes de decidir.

O que aconteceu com o Move Brasil

A segunda fase, com R$ 21,2 bilhões operados pelo BNDES, abriu em maio de 2026 e incluiu ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários. Pela cartilha oficial do BNDES, o implemento precisava ser novo, nacional e credenciado no banco, nas categorias reboque, semirreboque ou carroceria sobre chassi. Para o autônomo, a cartilha falava em prazo de até 10 anos, carência de até 1 ano e financiamento de até 100% do bem, conforme a análise de crédito.

O protocolo das operações no sistema do BNDES ia até 28 de agosto, e a comunicação da contratação, até 28 de setembro. Para as empresas, o dinheiro acabou bem antes. Segundo a AutoData, os R$ 17,2 bilhões reservados a elas se esgotaram no início de julho, enquanto a reserva dos autônomos, até aquele momento, tinha sido pouco usada.

Até 5 de outubro, quando fechei este texto, não encontrei anúncio de prorrogação nem de nova fase para caminhão e implemento. Cuidado com uma confusão possível: a Lei 15.503, sancionada em 14 de setembro, tornou permanente o Move Brasil dos motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores. É outra linha, e ela não financia caminhão nem implemento. O acervo de notícias do BNDES está fora do ar até 25 de outubro por causa do período eleitoral, então pergunte ao seu banco se há novidade antes de fechar negócio.

Nas linhas com dinheiro do BNDES, a regra que continua valendo é a mesma do Move Brasil: o implemento precisa ter código CFI.

Caçamba basculante Carropel branca e azul montada em caminhão traçado, vista lateral e traseira

Fabricamos caçamba basculante, tanque pipa, baú frigorífico e baú de carga seca sob medida para o chassi do seu caminhão.

Conheça os implementos Carropel

Antes do banco, confira o código CFI do implemento

CFI é o Credenciamento Finame, o cadastro do BNDES em que o fabricante inscreve cada máquina ou equipamento que pode ser financiado com recurso do banco. A página do BNDES Finame diz que os bens precisam ser novos, de fabricação nacional e credenciados. A cartilha do Move Brasil seguia a mesma lógica e orientava o comprador a pedir o código CFI já no orçamento, porque a nota fiscal precisa sair com o mesmo código indicado na proposta.

Por isso eu começaria a conversa pelo fabricante e só depois iria ao banco. Pergunte se aquele implemento, naquela configuração, tem código CFI. Sem o código, a operação fica fora do Finame, e as opções passam a ser linhas com recurso próprio do banco, o FNE, o consórcio ou o pagamento direto.

BNDES Finame pelo banco credenciado

O Finame é a linha permanente do BNDES para máquinas e equipamentos. Na modalidade BK Aquisição e Comercialização, a lista do que pode ser financiado inclui caminhões, reboques, semirreboques, chassis e carrocerias para caminhões e equipamentos especiais adaptáveis a chassi, com tanques entre os exemplos. Isso cobre o tipo de implemento que a gente fabrica, como caçamba basculante, baú frigorífico e tanque pipa, desde que o item esteja credenciado.

Podem pedir empresas, empresários individuais e MEI, cooperativas, órgãos públicos, transportadores autônomos de carga e pessoas físicas associadas a cooperativa de transporte rodoviário de cargas. O dinheiro não sai do BNDES direto para você. Você procura uma instituição credenciada, ela analisa o crédito, negocia a garantia e manda a operação para o BNDES homologar. Na rede credenciada estão Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa, Sicoob, Sicredi, bancos privados e os bancos de várias montadoras. O BNDES avisa que cada instituição decide se opera cada linha, então a primeira pergunta ao gerente é se ele trabalha com Finame para implemento.

Pela página da linha, consultada em outubro de 2026, o BNDES financia até 100% do bem, com prazo de até 10 anos e carência de até 2 anos. A taxa final soma três partes: o custo financeiro, a taxa do BNDES e a taxa do banco. Para caminhões e ônibus, a taxa do BNDES é de 0,95% ao ano para micro, pequena e média empresa do Norte e do Nordeste, e de 1,25% nas demais regiões e para grandes empresas. A taxa do banco é negociada, e é nela que uma proposta pode ficar bem diferente da outra. A garantia também é negociada, e a linha aceita os fundos garantidores do BNDES, como o FGI.

Na minha leitura, o Finame encaixa bem para transportadora, empresa com frota própria e autônomo com RNTRC regular e cadastro limpo. O ponto fraco é que a análise de crédito fica com o banco, e quem tem pouco histórico pode esbarrar na exigência de garantia.

Tanque pipa Carropel em aço inox com guarda-corpo, montado em caminhão Mercedes-Benz Atego, vista lateral

FNE, a linha do Banco do Nordeste

Para quem compra no Nordeste, eu colocaria o FNE na lista desde o começo. O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste é operado pelo Banco do Nordeste, com programas separados por setor e porte, e dois deles interessam a quem vai comprar implemento.

O FNE MPE atende microempresa, pequena empresa e MEI. Financia veículos necessários ao funcionamento do negócio e bens de capital, e tem uma faixa própria para o MEI Transportador Autônomo de Cargas, com carência de até 1 ano, prazo total de até 10 anos e limite de R$ 150 mil, somando capital de giro e investimento. Para micro e pequena empresa, a aquisição isolada de caminhão aparece com até 1 ano de carência e até 10 anos de prazo.

O FNE Comércio e Serviços atende empresas a partir do porte pequeno-médio, com receita anual acima de R$ 4,8 milhões. Financia veículos utilitários e bens de capital, com a mesma regra de até 10 anos na aquisição isolada de caminhão. O percentual financiado diminui conforme a empresa cresce: vai de 90% a 100% no porte pequeno-médio até 50% na grande empresa fora das áreas prioritárias.

Os encargos do FNE seguem a Resolução CMN 5.013/2022, e a taxa do seu caso sai na agência. O Banco do Nordeste também repassa o BNDES Finame, para pessoa física e empresa, com prazo de até 120 meses e carência de até 24. O que eu recomendo é começar cedo, antes de fechar o pedido do caminhão, porque cada programa tem a sua documentação.

Bancos de montadora e cooperativas de crédito

Banco Mercedes, Volkswagen, Volvo, Scania, Paccar (DAF) e TRATON estão na lista de agentes credenciados do BNDES. Para quem compra o caminhão novo na concessionária, é o caminho mais curto, porque a proposta nasce ali, junto com o chassi. O que eu perguntaria é se o banco coloca o implemento na mesma operação ou financia só o caminhão, e se exige CFI do implemento. Cada banco tem a sua política, e não encontrei regra pública que valha para todos.

Sicoob e Sicredi também estão na rede credenciada e repassam linhas do BNDES. Para usar, você precisa ser associado, e as condições variam de uma cooperativa para outra, porque cada uma tem política de crédito própria. Se você já é cooperado e movimenta a conta ali, faz sentido começar a cotação por ela.

Baú de carga seca Carropel em galvalume frisado montado em caminhão truck, vista traseira e lateral

Consórcio e parcelamento com o fabricante

O consórcio é regulado pela Lei 11.795, de 2008, e fiscalizado pelo Banco Central, que autoriza as administradoras a funcionar. O grupo paga parcelas todo mês e, a cada assembleia, alguém recebe a carta de crédito por sorteio ou por lance, no valor do bem naquela data. Não há juros, mas há taxa de administração.

Funciona para quem planeja a troca com antecedência e tem caixa para dar lance. Para quem tem contrato de frete começando no mês que vem, o risco é grande, porque ninguém garante quando você vai ser sorteado. Antes de assinar, confira no site do Banco Central se a administradora é autorizada e leia no contrato a taxa de administração e a regra de lance.

O parcelamento direto com o fabricante depende da política de cada fábrica e passa por análise de crédito. Pode ajudar a cobrir uma parte do valor ou o intervalo entre o pedido e a entrega. Como o dinheiro é do próprio fabricante, não espere o prazo de 10 anos de uma linha do BNDES ou do FNE.

O que levar para a conversa no banco

Juntei o que a cartilha do BNDES pedia no Move Brasil com o que os bancos costumam pedir em qualquer financiamento de bem. Com isso em mãos, a primeira conversa já rende proposta:

1. Orçamento formal do implemento, com descrição técnica, valor e o código CFI do item, se houver.

2. Dados do caminhão que vai receber o implemento: modelo, ano e nota fiscal ou pedido do chassi. O dimensionamento do implemento depende deles.

3. RNTRC em situação regular, se você é transportador. Era exigência do Move Brasil e ajuda a mostrar a atividade em qualquer linha.

4. Documento de identificação, CPF, CNH na categoria do veículo e comprovante de residência atualizado.

5. Comprovante de renda: holerite, extratos ou declaração de Imposto de Renda, no caso de pessoa física; faturamento, balanço e DRE, no caso de empresa.

6. Documentos da atividade de transporte, como CIOT, contratos de frete ou notas de serviço.

7. Consulta prévia ao CADIN e às certidões, para não descobrir pendência no meio da análise.

8. Uma lista de perguntas ao gerente: o banco opera Finame ou FNE para implemento, qual o custo financeiro, qual a carência, se aceita fundo garantidor e se financia o seguro do bem.

Do lado do implemento, a gente aqui na Carropel pode ajudar com a documentação técnica que o banco costuma pedir, como proposta e especificação do equipamento.

Perguntas frequentes

O Move Brasil ainda financia implemento rodoviário?
Na segunda fase, não. O protocolo no BNDES foi até 28 de agosto de 2026 e a comunicação da contratação, até 28 de setembro. Até 5 de outubro de 2026 não havia anúncio de nova fase para caminhão e implemento. A Lei 15.503/2026 tornou permanente outra linha do Move Brasil, voltada a motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores.

Dá para financiar só a carroceria, sem trocar o caminhão?
A linha BNDES Finame BK Aquisição e Comercialização lista carrocerias para caminhões e equipamentos adaptáveis a chassi, como tanques, entre os itens financiáveis. O implemento precisa ser novo, nacional e credenciado no BNDES, e a aprovação depende da análise do banco.

O que é o código CFI e onde eu consigo?
CFI é o Credenciamento Finame, o cadastro do BNDES dos equipamentos que podem ser financiados com recursos do banco. Quem credencia é o fabricante. Peça o código CFI do item no orçamento, porque ele precisa constar na proposta e na nota fiscal.

Transportador autônomo pessoa física pode usar o Finame?
Pode. Transportadores autônomos de carga e pessoas físicas associadas a cooperativa de transporte rodoviário de cargas estão entre os clientes previstos na linha BNDES Finame BK Aquisição e Comercialização. O pedido é feito numa instituição financeira credenciada pelo BNDES.

Existe linha do Banco do Nordeste para caminhoneiro MEI?
Sim. O FNE MPE tem uma faixa para o MEI Transportador Autônomo de Cargas, com carência de até 1 ano, prazo total de até 10 anos e limite de R$ 150 mil somando capital de giro e investimento, segundo a página do programa em outubro de 2026.

Consórcio serve para comprar implemento?
Serve para quem pode esperar. No consórcio, regulado pela Lei 11.795/2008 e fiscalizado pelo Banco Central, o crédito sai por sorteio ou lance, sem data garantida. Não há juros, mas há taxa de administração.

As condições citadas constam da cartilha Move Brasil Caminhões e Ônibus do BNDES (Programa BNDES Mais Mobilidade, 2ª edição, maio de 2026), das páginas BNDES Finame, BNDES Finame BK Aquisição e Comercialização e Rede credenciada no Brasil, no site do BNDES, das páginas FNE MPE, FNE Comércio e Serviços e BNDES Finame, no site do Banco do Nordeste, da Lei 11.795/2008 e da Lei 15.503/2026, consultadas em outubro de 2026. As datas e os valores do encerramento do Move Brasil 2 foram publicados pela AutoData e pela Transporte Moderno. Taxas, prazos e limites mudam: confirme as condições vigentes com a instituição financeira.

O fim do Move Brasil tirou do mercado a linha subsidiada que juntava caminhão e implemento na mesma operação. Finame e FNE continuam abertos, com prazos de até 10 anos. A conta começa por duas perguntas: o implemento tem código CFI, e qual banco opera Finame ou FNE para o seu porte. Com essas respostas, dá para comparar propostas pelo mesmo critério.

Vai financiar uma caçamba, um tanque ou um baú?

Peça o orçamento do seu implemento

Daniel Lima

Diretor Comercial • Carropel


A Carropel fabrica implementos rodoviários com engenharia própria em Caucaia, no Ceará, atendendo operações de transporte em todo o Nordeste.

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Dois baús frigoríficos Carropel em caminhões Volkswagen, um com aparelho Frigoking

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